Ainda estamos e temos nojo e ódio à Ditadura

 


 

Ao longo da historia brasileira sempre tivemos a permanente luta entre luzes e sombras. Parto da premissa junguiana  de que a vida dos indivíduos e da sociedade se desenvolve e se aperfeiçoa no meio de uma dialética (ou pelo menos deveria ser)  entre essas duas forças. 

Olhando pela perspectiva da nossa historiografia, podemos dizer que desde os primórdios, o colonizador explorador chega com uma retórica de manipulação, que em nada condiz com os termos seiscentistas da  retórica poética da carta de Caminha. O colonizador, de fato nunca esteve encantado pelas belezas naturais da terra brazilis. Ele veio para saquear, explorar, sob olhos da ganancia que sequer foram contestados pelos missionários da Corte.

Prevaleceu a sombra maldita da cobiça, do jugo cultural e religioso. Eu escutei de um comandante militar  na instituição de um prelado em minha cidade de que o Brasil se criou sob dois símbolos marcantes: a Cruz e a espada. Se se ensina isso nas academias militares em nosso país estamos definitivamente perdidos!  

Hoje fazem 61 anos do golpe militar que instaurou em nosso país o terror político, que nos deixou um rastro de sangue, dores, traumas que nunca mais queremos retorno. O processo de redemocratização, feito a passos de tartaruga e com acordos atrás de acordos gerou uma anistia que mais protegeu criminosos do que vítimas. 

A frágil democracia que se impôs não eliminou a disparidade de concentração de renda e de poder entre as classes sociais em nosso país. E por muito pouco não tivemos um golpe civil e militar, como aquele que foi travestido de legalidade contra a Presidenta Dilma. Bolsonaro e sua trupe tentaram golpear violentamente a ainda frágil democracia em nosso país, esgualepado por uma elite que tem a cabeça nos Estados Unidos.

O que fazer então? Certamente não aquilo que o cavalar ditador Figueiredo recomendou, lembram? Devemos ter a resiliência de uma Eunice Paiva e uma clareza de um Ulisses que afirmou que a ditadura merecia ódio e nojo! 

Essa é a razão pela qual podemos gritar Sem Anistia e evitar que a balela que colou em 1979 para os agentes da Ditadura volte a colar para os golpistas recauchutados de hoje!


 

 


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