Um tempo em pedaços


13 anos depois daquela manhã que jamais será esquecida, na qual os raios de sol acordaram a cidade de Santa Maria para a maior dor de sua história, é de se perguntar: a justiça foi feita?Certamente que não!

Diz-se que uma das finalidades da justiça é corrigir erros, juntar pedaços do que foi partido e comprometido em sua integridade. Não somente de coisas, mas também de vidas. Pelo menos é nisso que eu acredito. Embora não se possa restaurar em plenitude a beleza das vidas que foram quebradas, partidas, ainda no caminho, a aplicação da justiça pelo menos nos dá o sentimento de que a impunidade foi confrontada. 

Muitas famílias continuam em uma dolorosa vigília para que a justiça seja feita. Muitas dessas famílias estão cansadas mas sabem que resistir ao cansaço também é uma forma de memória e superação de impunidade.
Cada família que segue exigindo respostas reafirma que aquelas 242 vidas não são números de um processo, mas histórias que importam porque foram vítimas de uma sociedade que coloca lucro em primeiro lugar.
O poder econômico e os meandros jurídicos continuam fazendo valer o seu poder, adiando a conclusão desse processo. As lágrimas derramadas pelas famílias das vitimas clamam em fazer este tempo juntar os pedaços que foram resultados dessa terrível experiência.
Foram quebrados muitos vasos preciosos, frágeis, lindos de tenra ternura, de sonhos para um mundo melhor. E o tempo perdeu a sua inteireza. Tornou-se um Cronos doloroso. Ainda lutamos para que o Kairós venha. Ele, esse tempo divino, eterno e inteiro vai chegar!
Chegará para superar a injustiça e o esquecimento!!
Que essa data não seja apenas um marco de luto, mas também um compromisso coletivo: para que a dor de Santa Maria nunca seja banalizada, relativizada ou esquecida — e para que nenhuma outra família precise aprender, da forma mais cruel, o quanto a impunidade machuca.

 Pelo respeito, pela Memória e pela Justiça!! 

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