Jogos, Selfies e Adolescentes tardios....descendo a ladeira!
O recente espetáculo patrocinado pela CPMI das Bets acabou de vez com a percepção de que o Parlamento brasileiro está descendo a ladeira da seriedade. A oitiva da testemunha Virginia Fonseca foi um espetáculo de escárnio para com a sociedade brasileira.
Amparada por um habeas corpus preventivo, a influencer sentiu-se super desinibida em fazer plateia e ainda sair quase que triunfante diante das perguntas dos parlamentares durante a audiência. Percebeu-se nitidamente o desconforto da relatora, senadora Soraya Thronicke, bem como do Presidente da Comissão que tentou intervir algumas vezes para manter alguma urbanidade na oitiva.
Virginia é fruto de uma sociedade que deixou de lado os tradicionais papéis que historicamente eram desempenhados pela Escola, pela Igreja e pela Família. Como fruto da geração Z, ela nasce num contexto das mídias virtuais e onde a educação já contempla mais tecnologia que amplia o alcance comunicacional com um mundo de mais interações mas com baixo nível de vis a vis.
Por ser um fenômeno de novo modelo de gurus que arrastam multidões de seguidores virtuais, sua personae se manifesta por tudo aquilo que atrai a atenção de seus seguidores e vende de tudo, seja roupa, perfume, laser e jogos, estes últimos que a levaram a ser chamada na CPMI.
Considerando o fato da sua geração representar um novo paradigma de comunicação, me surpreende que alguns senadores viraram "teenagers" retardados (no sentido de tempo, para não assumir outra conotação) pedindo selfies, elogiando a influencer e desviando do foco da questão.
Fundamentalmente ela foi chamada para relatar se a ação dela como propagadora de jogos virtuais, ganhando milhões inclusive com aqueles que já estão tão clinicamente dependentes ao vicio do jogo, ela pareceu pouco preocupada com o sofrimento alheio.
Isso beira a patologia. Um tipo de insensibilidade e falta de empatia com o drama humano. Mas encerro por aqui as considerações sobre Virgínia e me estendo sobre o comportamento dos parlamentares. Penso que alguns deles perderam o senso de ridículo. Muitos deles estão coniventes com as BETS, exatamente porque se beneficiam politicamente delas. E me surpreende que alguns deles, sendo evangélicos, se contém em fazer uma critica mais contundente a essa terra de ninguém! Contrariando, inclusive a velha ética protestante de considerar jogo de azar pecado, como consequência do puritanismo!
E a relativização da ética protestante acontece em outros campos comportamentais também, como o querido leitor pode deduzir rapidamente! Maus tempos nos cercam, senhores e senhoras! Vamos precisar de muita coragem para exigir da classe política brasileira a maturidade.
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