Jornada 4x3: Um Novo Paradigma para recuperar a classe trabalhadora?
Definitivamente temos vivemos hoje uma encruzilhada perigosa nos rumos que o Brasil precisa adotar para superar a vergonhosa desigualdade econômica em que estamos metidos. Alguém pode dizer que após quase dois anos de governo Lula III, os índices que medem a situação social apresentam uma melhora.
Desemprego em níveis elogiáveis, crescimento econômico acima das apostas feitas, inclusive pelo Mercado, reservas internacionais em nível respeitável de liquidez constituem uma conjuntura favorável a qualquer governo. Menos para o governo Lula. A Direita e o Mercado se deram as mãos para testar a força política do governo!
Bastou o governo acenar com a taxação dos mais ricos e aumentar a isenção do IR para o patamar de cinco mil reais, que os agentes do Mercado financeiro ficaram nervosos. Até já comentei sobre isso no artigo anterior.
Na realidade, o PT está amargando a consequência de sua desconexão com a classe trabalhadora. De um partido que surge com base operária e que forjou sua identidade com o discurso de auditoria da Divida e contra o Imperialismo, o partido foi atropelado pela mudança do perfil do trabalho no país.
O advento do empreendedorismo, velozmente estimulado pelas politicas neo-liberais aplicadas no país, inclusive por governos do próprio partido, apoiando a reforma trabalhista e previdenciária, acabou de selar a desconexão com o novo perfil do trabalhador brasileiro.
A discussão sobre a jornada de trabalho pode ser a senha desse reencontro com o trabalho. Essa é uma pauta que precisa ser realmente motivadora para se discutir a relação entre capitalismo, trabalho e bem-estar. Sabendo-se desde já que o capitalismo sobrevive da exploração da classe trabalhadora. Quanto menos descanso ela tiver, menor será inclusive a sua capacidade de se auto refletir. Isso sem falar nos danos a saúde decorrentes da pressão por produtividade.
Se a esquerda deseja capturar a simpatia do trabalho e transformar essa simpatia em eficiência eleitoral precisa convencer que a Direita não tem projeto pra classe trabalhadora. A inserção do pobre no Orçamento só se tornará realmente possível com um projeto de esquerda. E esse projeto tem personagens nítidos e colocados em seus devidos lugares! Não se consegue a síntese com projeto de conciliação de classes.
Fica a pergunta: A esquerda vai pautar, de fato a luta pela jornada justa?
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