A Bispa e o Presidente: aqui não, diabo loiro!


 


A posse do novo Presidente dos EUA nem completou uma semana e já reúne um conjunto de reações em cadeia que estão longe de acabar e que apontam para um quadriênio muito tenso e que trará consequências para a configuração geopolítica mundial.

Talvez devamos nos debruçar sobre as tensões econômicas dentro de um contexto multipolar e considerar estas tensões sob a ótica geopolítica, com a manifesta intenção de expansão territorial do Presidente Trump. Estes assuntos merecerão considerações em breve.

O que quero chamar a atenção neste artigo foi a corajosa intervenção da bispa de Washington diante do Presidente, chamando a atenção do mesmo para algo que parece estar bem distante do perfil dele: a misericórdia!

A reverendíssima bispa Mariann Edgar Budde, além de suas funções eclesiásticas, é descendente de suecos, portanto imigrante, mulher em posição de liderança, doutora em Divindades e foi a primeira mulher bispa em sua diocese. Além do mais já escreveu vários livros que a coloca no terreno da Teologia feminista como uma de suas expoentes.

Ou seja, tudo que Trump não suporta. Além disso, por sua teologia e pastoral, é uma defensora dos direitos das pessoas LGBTQIAPN+, dentro de uma Igreja que tem sido pioneira na defesa dessas pessoas.

Em seu sermão, esta "ativista esquerdista", conforme o próprio Trump a descreveu, fez um discurso teologicamente correto, ao chamar a atenção do Presidente a respeito do pilar fundamental que legitima qualquer poder: a misericórdia! Sem misericórdia, a Justiça não se estabelece!

Na linha do profeta Oséias, a Bispa lembrou as vidas que estão dominadas pelo medo diante dos riscos de prisão e deportação de famílias de imigrantes e das pessoas LGBTQIAPN+ que serão perseguidas e excluídas, inclusive de programas federais no novo governo.

Ela não confrontou o Presidente, como alguns queriam que tivesse acontecido. O Presidente foi confrontado pela sua própria sombra. E, claro, saiu-se mal na sua reação, exigindo retratação da Bispa e a desqualificando. Ou seja, o macho foi ferido na sua empáfia.

A bispa não se retratou e praticamente reafirmou a separação entre Igreja e Estado, algo que as civilizações modernas precisam afirmar. Ao longo da história, temos muitos conflitos que opuseram a esfera política e religiosa, sempre em torno da compreensão do "quem manda no que".

Para quem começou o governo achando-se a ultima bolacha do pacote, Trump amarga a primeira derrota. E o bom disso é que foi uma imigrante, mulher, de esquerda, defensora da democracia e corajosa. E aí, talvez resida o grande problema da direita machista: ela adora que as mulheres estejam submetidas....Aqui, não, diabo loiro!


 

Comentários

Postagens mais visitadas