O Mal tem rosto?
A alma humana pode manifestar belos sentimentos. E pode fazê-lo porque acreditamos num Deus que fez boas todas as coisas. Um Deus que, ao concluir sua obra, segundo a cosmogonia cristã, achou tudo belo. Isso nos põe diante de uma conclusão inevitável: o bem e a estética andam de mãos dadas.
As coisas começam a desandar quando a dúvida sobre a bondade divina se instala no coração da humanidade e a consequente luta pelo poder instaurou o caos. O caos individual e o coletivo. Aí começou a História. Ela continua sua sina entre classes, raças, gêneros, e por ai vai. Aqueles cenários típicos que são retratados nas diversas artes e nas literaturas ao longo de milenares gerações.
E nesse desenrolar entre narrativas, relatadas pelos sobreviventes, a gente vai distinguindo os santos e os malvados da História. Estamos ciclicamente vivendo períodos em que malvados acabam controlando a narrativa através da instrumentalização dos aparelhos de poder. Assim foi no século 20 quando o mundo experimentou a catástrofe de duas guerras mundiais e do surgimento de ideologias totalitárias com líderes carismáticos, populistas que levaram o mundo a assistir uma mortandade sem precedentes. Os aproximadamente 110 milhões de mortos nos dois conflitos só são superados pelas mortes decorrentes de epidemias e da fome.
Estamos no século 21 e me parece que estamos em plena vivencia do que Cazuza cantava sobre ver um museu de grandes novidades....O fascismo voltou com toda força e ocupa hoje o posto mais poderoso do mundo. E tem um monte de admiradores em outros tantos postos de poder, espalhados pela Europa, Ásia e América Latina. Fico por aqui porque outros simpatizantes estão em partes menos influentes do ponto de vista geopolítico.
Essa turma está demolindo o pouco de civilização que a duras penas algumas sociedades estavam tentando conservar. E esse povo quer implantar uma sociedade plutocrática, racista, misógina e violenta. A sua criança rebelde, com ares de filhinho de papai emburrado, cercado de homens brancos, ricos e lotados de perversões começou a implementar um projeto de morte. O nome dessa criança emburrada eu nem quero pronunciar. E assim permanecerei, como um testemunho de minha revolta e minha solidariedade com os meu irmãos e irmãs dos Estados Unidos e daqueles países e povos que esse ser quer oprimir.
Posso chama-lo de Diabo louro, pois me parece mais adequado para tal. E me lembro de uma escultura na entrada do Museu do Holocausto onde os soldados nazistas não tem rostos representados. Não se pode humanizar o mal. Não se pode sequer dar nome a quem tripudia e persegue a humanidade, inclusive seus próprios patrícios!
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